Escrevo às 6 horas da tarde, o resultado da eleição nos EUA só deverá ser confirmado a partir das 10 horas. Eles ainda não aprenderam a lidar com a urna eletrônica, têm as mesmas reservas que tinha Brizola. De qualquer maneira quero tratar da "coincidência" de mandato, tema antigo. E de futuras eleições presidenciais. (Apesar do horário, a vitória Democrata e a derrota de Bush filho, esmagadoras).
Agora, nos EUA, renovação total na Câmara dos Representantes. (Deputados). São 435 para uma população de 280 milhões, enquanto nós temos 513 representando 180 milhões. A maioria nessa Câmara é de 218 votos.
Para o Senado, hoje (ontem) estão disputadas apenas 33 cadeiras das 100 existentes. (50 estados, para cada um, apenas 2 senadores. Existe o voto independente como no Brasil até 1934. Mas lá nunca elegeram 1 só senador e para deputados elegem às vezes 1 ou 2).
No momento em que escrevo, os Democratas têm 50 senadores e os Republicanos 49. Em apenas 1 estado a apuração não terminou. Democratas e Republicanos podem ficar empatados ou 51/50 contra Bush filho.
A Emenda constitucional número 26, que acabou com as reeleições ilimitadas para presidente da República, preservou os mandatos de governadores. Considerou que essa não era "questão nacional", não poderiam legislar para os estados.
Dos 50 governadores, agora são eleitos apenas 36, os outros 14 têm datas inteiramente diferentes. A duração dos mandatos é regulada pela Constituição estadual e não a Federal.
Resultado dessa isenção justíssima da Constituição Federal: existem governadores com mandatos inteiramente diferentes. Só não podem ocupar o cargo, diretos, por mais de 4 anos. Mas podem se reeleger quantas vezes o eleitor permitir. O melhor exemplo é o de Bill Clinton. Foi eleito governador do Arkansas 6 vezes seguidas, com mandato de 2 anos, o que é muito bom. Não precisa impeachment, de 2 em 2 anos o cidadão confirma ou repudia o governador.
Como presidente da República, Clinton ficou 8 anos, depois (agora) não pode ser mais nada, ELEITO ou NOMEADO, seja no Executivo, Legislativo ou Judiciário. Essa modificação tem origem em Franklin Delano Roosevelt. Eleito em 1932, 1936, 1940 e 1944 (morrendo logo em 1945, com 61 anos), achavam que ele seria presidente por 2 outros mandatos, em 1948 e 1952.
Além da importância de terem um Legislativo e um Executivo dominado por partidos diferentes, é sempre um avanço e não retrocesso. Porque em toda a história americana, são raríssimos os Republicanos que se transformaram em Democratas ou vice-versa. (O caso mais famoso e inédito foi o de Lincoln-Andrew Johnson. Republicano, Lincoln escolheu para vice um democrata, governador do Tenessee).
Mas essa eleição geral de agora, além do jogo do Poder entre Democratas e Republicanos, marca o primeiro passo para a luta presidencial de 2008 (exatamente dentro de 2 anos) e de forma inédita na vida dos EUA. Antigamente, quando existia a possibilidade de uma candidatura de Luther King, se dizia abertamente: "Uma mulher ou um negro presidente, só através da vice". E alguns que conheciam história, acrescentavam: "Isso se não for assassinado".
Pois agora praticamente se confirma a caminhada de Hillary Clinton à Casa Branca, onde já morou 8 anos como Primeira-Dama. (À hora em que escrevo, ela está reeleita, com grande votação, fica no Senado até 2012, ou quem sabe apenas mais 2 anos?) E confirmando a modificação, surge também entre os Democratas um jovem senador negro (do estado de Ilinois) de rápida ascensão. Como é muito moço, não dará para 2008, mas fica nas manchetes e nas televisões.
E como os Republicanos não têm nomes políticos de peso, surge a possibilidade que nem seria considerada há alguns anos: duas mulheres disputando a Casa Branca. Não é nem despropositado, que em desespero e sem saída os Republicanos apelem para Condoleezza Rice. Seria interessantíssimo.
PS - Toda eleição deve ser festejada e comemorada. Principalmente no limiar da amaldiçoada Era Bush.
PS 2 - Ainda mais grato e festejável duas mulheres se candidatando à Casa Branca. Poderia significar mudança total no domínio dos Estados Unidos sobre o mundo.
Jorge Gerdau Johanpeter
Dos empresários brasileiros, é o que está na vez. Riquíssimo, bem-sucedido, desenvolvimentista, que oportunidade para aproveitá-lo.
A Gerdau, empresa rigorosamente nacional, lucrou 719 milhões no terceiro trimestre. Sem contar o que ganhou em outras empresas nas quais tem participação. Seu nome é cogitado para ministro da Fazenda. Tem título, credenciais e obstinação. Mas não será. O favorito continua sendo Guido Mantega, não por preferência de Lula. É que Mantega tem o apoio de empresários financeiros. Mantega já jogou num time mais recomendável.
Agripino Maia já saltou um obstáculo enorme para ser presidente do Senado. Marco Maciel, que na ditadura ou na democracia quer tudo, foi ultrapassado. Agora Agripino tem que vencer Renan e sua reeleição inconstitucional.
Na primeira eleição, Renan teve Sarney como ferrenho adversário. Agora o mesmo Sarney é seu grande cabo eleitoral. E a derrota de Roseana Sarney favoreceu os dois malabaristas. Mas ela só entra no PMDB para ser ministra.
O que não fazem alguns milhares de votos. A televisão mostrou o governador Requião satisfeitíssimo sendo recebido por Lula. Requião realmente votou em Lula 5 vezes. Mas não falava com ele exatamente há 2 anos.
No seu reinado econômico de 1967 a 1974, Delfim retumbava: "A economia cresce a 10 ou 11% ao ano". Apesar de Medici recitar o verso que escreveram para ele: "A economia vai bem mas o povo vai mal".
Agora, voltando às delícias do Poder, mesmo sem identificação do cargo, diz que "é muito bom que o PIB cresça 5%". Na ditadura, 10 ou 11% não era muito. Na democracia (?), 5% passa a ser "exagero"?
O Congresso concedeu licença para o vice-presidente José Alencar fazer tratamento nos EUA. No mínimo por 30 dias, portanto quase até o fim do primeiro mandato. Assumirá o comunista Aldo Rebelo.
Esteja onde estiver, Luiz Carlos Prestes estará revoltado. Chefiou Revolução comunista que acabou com sua carreira e não foi presidente. Aldo Rebelo comunista e sem Revolução alguma será presidente.
O belo Estádio João Havelange está sendo terminado, apesar da incompetência de Cesar Maia. Fica no Engenho de Dentro, pioneiro nesse tipo de construção. Em 1937, ali mesmo foi construída a estação eletrificada da Central do Brasil. Com um registro.
Era e continua sendo o maior vão sem qualquer pilastra já erguido no Brasil. 70 anos depois, ainda um espetáculo de realização.
É preciso deixar bem claro: o Daniel Ortega que se elegeu agora presidente da miserável e empobrecida Nicarágua não é o mesmo que comandou o país. Aquele Daniel Ortega morreu, o de agora, linha auxiliar de Bush filho.
Impressionante o crescimento do prestígio de Jaques Wagner. Antes da eleição, como as pesquisas diziam que perderia no primeiro turno, quase não falavam com ele. Agora todos dizem: "Temos que falar com o Wagner". É ele.
1 mês antes da eleição, revelei aqui: Eduardo Cunha, porta-voz e defensor de Anthony Mateus, rompeu com ele. Só agora descobriram.
E dizem que a separação foi por causa do apoio de Mateus à candidatura Pudim a deputado. Tolice. Cunha rompeu quando recebeu pesquisa do maior instituto do País, garantindo que Sergio não perderia.
Moreira Franco jamais enganou ninguém, não escondia sua posição eleitoral no Estado do Rio: apoiava Sergio Cabral. Não quis se reeleger deputado, mas volta em 2010: candidato a senador, duas vagas.
A Telemar receberá quase 2 bilhões e meio do BNDES. Nem quero saber se o intermediário é filho do Lula. Mais grave: é multinacional-manipuladora-martirizadora-exploradora-enriquecedora dela mesma.
O presidente Lula, logo que foi eleito, deixou bem claro: "Vou diminuir o número de ministros". Não dá, pode ser até que tenha que aumentar o número. No caso não é culpa dele, é próprio do pluripartidarismo.
Michel Temer queria ser vice de Serra, um "presentão". Não conseguiu por causa de Quercia. Agora quer ser presidente da Câmara, não será por falta de votos. Geddel e Eunicio foram eleitíssimos.
O dólar não sai do lugar, 2,13 alto ou 2,14 baixo. Rotina também na entrada da moeda para a "dívida" interna. E do Banco Central comprando inutilmente.
Ontem, depois da reunião das 9, a dissidência da terça continuou. Não havia, como habitualmente, consenso para venda ou para compra. O Índice ficou oscilando. Na terça fechou em 41.048, ontem, antes dos leilões, estava em 41.049. O fechamento foi por aí, rigorosamente estável.
Nas eleições para a direção do Sindalerj só compareceram 154 votantes, 700 ausências, pois os sindicalizados são 954.
Pelo estatuto do sindicato, não havendo quorum de metade mais um dos filiados, tem que ser realizada segunda eleição, até 30 dias depois, com qualquer número.
Mas Emidio Gonzaga, apesar disso, se autoproclamou vencedor, sob protestos e vaias da oposição que não pôde concorrer. Agora, Zoroar Meneses e Vilma Leal vão à Justiça para que o estatuto, pelo menos isso, seja cumprido.
Os jornalões publicaram que as tarifas de energia da Light, a partir deste mês, seriam reduzidas em 2,9 por cento. Erraram totalmente.
Está publicada no Diário Oficial de 7 de novembro resolução da Aneel aumentando, isso sim, as tarifas em 11,69 por cento para todos os consumidores.
Em dezembro, a conta de novembro já vem com esse acréscimo. Os 2,9 por cento eram relativos ao seguro-apagão, instituído pelo governo FHC.
O valor caiu. Mas as tarifas subiram 11,69 por cento. Se o seguro-apagão estivesse valendo, o reajuste seria de 11,69 por cento mais 2,9. Ou seja: de 14,59%. As multinacionais ganham sempre. Que República.
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Quase todos os jornais do mundo (incluindo naturalmente os do Brasil) dão nas Primeiras foto de Hillary Clinton, senadora reeleita, e o marido Bil Clinton.
Ele que foi 8 anos presidente dos Estados Unidos pode voltar à Casa Branca. Agora como Primeiro Damo, fato inédito na história dos EUA.
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Uma pena que o Estadão não venha publicando artigos do major Passarinho. Quase tão interessantes quanto as charges do Toledano, estas muito mais verdadeiras.
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A Ford troca de presidente no Brasil. Espero que a empresa seja mais competente e responsável do que tem sido.
Os dirigentes esqueceram que o automóvel foi lançado em 1894 pelo genial Henry Ford, que diferença.
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A festa do Atlético, maravilhosa, veio confirmar o que sempre digo: a tristeza do rebaixamento é superada pela volta à Série A. O Atlético mereceu.
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Delfim, falastrão, recorre ao lugar-comum, quem diria num homem requintado: "Esse negócio de que não há governabilidade é CONVERSA MOLE PARA BOI DORMIR". Que horror.
O famoso ministro esqueceu que FHC disse: "Sem medida provisória não há governabilidade".
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Que gol de falta, anteontem, de Diego. Renasceu mesmo.
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O primeiro embate parlamentar Carlos Chagas
BRASÍLIA - Apesar de o novo mandato presidencial iniciar-se apenas no primeiro dia de janeiro, comporta-se o presidente Lula como se já estivesse no segundo mandato. Programa viagens a obras e a realizações que estenderá até 2010, começa a conversar com governadores eleitos, mesmo isoladamente, recebe líderes de diversos partidos.
Pois o primeiro embate parlamentar do novo governo também acontecerá antecipadamente, no velho governo. Existe uma vaga no Tribunal de Contas da União, espécie de paraíso na terra, refúgio para políticos derrotados e sucedâneos, com vencimentos de R$ 23 mil, fora as mordomias. As vagas no TCU obedecem a critérios constitucionais, abertas para parlamentares, altos funcionários do tribunal e indicados pelo Poder Executivo. Um de cada vez.
Disputa ficará no âmbito interno A vez, agora, é da Câmara indicar o novo ministro, mas a influência do Planalto é essencial. Disputam três deputados do PT, um do PFL, outro do PSDB. Ocupa a pole-position, no PT, o deputado Sigmaringa Seixas, que não se reelegeu pelo Distrito Federal.
Amigo pessoal de Lula há anos, seria o preferido do amigo. Mas também andam de olho nessa sorte grande o deputado Antônio Carlos Biscaia, presidente da CPI dos Sanguessugas e surpreendentemente não reeleito pelo Rio, e o deputado José Pimentel. Correndo por fora, pelas oposições, estão o deputado Gonzaga Motta, pelo PSDB, e, pelo PFL, o ex-vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô, derrotado por Fernando Collor na eleição para senador por Alagoas. O PT, minoritário, contará com a simpatia dos demais partidos ávidos de agradar o presidente Lula? A disputa ficará no seu âmbito interno ou as oposições mandarão seu primeiro recado ao presidente, mais ou menos no sentido do "é dando que se recebe"?
Sinais concretos da participação do PMDB, PP, PR e outros no ministério constituiriam passaporte para a indicação de um dos três petistas. Indefinições poderiam infligir ao presidente Lula senão uma derrota grave, ao menos uma fumacinha de alerta. O preenchimento da nova vaga no TCU deve acontecer até o final do mês.
Duas faces Lula recebeu na terça-feira o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, e o deputado José Múcio, ambos do PTB. A conversa ficou em torno da participação do partido na base de apoio do governo. O PTB apóia Lula desde o primeiro dia do primeiro mandato, mas vive uma dicotomia, desde que Roberto Jefferson reassumiu sua presidência. O ex-deputado cassado tornou-se desafeto. Afinal, graças a ele explodiu o escândalo do mensalão.
Roberto Jefferson rejeita o apoio do PTB ao presidente. Prega postura de independência, eufemismo para oposição. A maioria do partido gostaria de continuar aderindo e de selar compromissos para o segundo mandato, mas o comando de Jefferson é efetivo e deve ir até o final de 2007. Ele não considera Mares Guia um ministro do PTB, mas da quota pessoal do presidente. Um problema para o Planalto.
Rotina ou estratégia? Anuncia Lula a disposição de permanecer no palanque, visitando obras e realizações do governo como rotina, ainda neste resto de primeiro mandato e, em especial, no segundo. A novidade estaria na estratégia de fazer-se presente o tempo todo nas diversas regiões do País, dialogando diretamente com a população e demonstrando aos políticos que, se precisa deles no Congresso e para governar, também dispõe de cacife extra no jogo: o diálogo direto com as massas.
Há quem veja aí o embrião de soluções inusitadas, para a hipótese de impasses políticos e institucionais. Lula estaria disposto a apelar para o povo como forma de pressionar o Legislativo, podendo até recorrer a institutos pouco usados desde que promulgada a Constituição de 1988: o plebiscito e o referendo. Trata-se de uma forma democrática mas perigosa de governar. Dá certo em nações democráticas, como França, Itália e Estados Unidos. O perigo situa-se na possibilidade de diminuição dos poderes do Congresso, se atropelado constantemente.
Uma coisa é saber se o povo quer presidencialismo ou parlamentarismo, como já aconteceu, bem como se o cidadão pretende ser desarmado ou prefere ter sua pistola em casa. Outra é abrir consultas sobre fidelidade partidária, financiamento público de campanhas e aumento de impostos. É claro que em situações especiais o plebiscito é fundamental, como seria, se houvesse consulta para saber se a nação quer continuar ou não com a reeleição... Fonte: Tribuna da Imprensa
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