Dossiês distribuídos por ACM
têm semelhança com grampos

Transcrito da Tribuna da Imprensa de 08/03/03

      

BRASÍLIA - Vários dossiês distribuídos em Brasília nos últimos anos pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) têm um conteúdo bastante semelhante ao dos grampos realizados na Bahia, por ordem da Secretaria de Segurança da Bahia, e que no momento vêm sendo investigados pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça daquele Estado.

A denúncia está na edição da revista "IstoÉ" desta semana. A revista comparou o conteúdo de um pacote de relatórios enviados por ACM a pessoas diretamente ligadas ao governo, entre maio e setembro do ano passado, com o conteúdo dos grampos agora investigados pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Justiça baiano. Ao final, define o resultado desse trabalho como "uma perturbadora evidência" da participação direta do senador nas operações de escuta ilegal.

Os autores da reportagem - Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz, os mesmos que há duas semanas afirmaram ter ouvido ACM confessar que mandou grampear o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - citam três assessores diretos do então presidente Fernando Henrique Cardoso que, naquele período investigado, receberam dossiês de ACM. Entre eles, Pedro Parente (então chefe do Gabinete Civil); o ministro Guilherme Dias (do Planejamento) e a corregedora-geral da União, Anadyr Marcondes.

Os assuntos eram os mesmos, o tipo de acusação também. Uma das denúncias foi remetida ao Planalto dia 23 de maio. Tinha a palavra "Benito" grafada com a própria letra de ACM e falava de licitações que estariam beneficiando o deputado Benito Gama, rival político de ACM, para obras na Cia. de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Além de Benito, o texto cita nomes de pessoas próximas dele, que também seriam beneficiadas.

Com FHC

No dia 13 de agosto, outro texto, com a anotação "FHC" feita em letras enormes, menciona uma ligação de Geddel para o ex-presidente, na qual o deputado fala sobre a liberação de R$ 20 milhões no Ministério dos Transportes, com aval do Planejamento.

Outros dois grampos, com data de 8 de agosto, também abordam essa liberação - desta vez com um assessor do Ministério e depois com o ministro interino, João Henrique. Dias depois, ACM envia um fax ao ministro Guilherme Dias, para que "se acautele contra o cerco e a pressão" de "agatunados da política baiana" que pretenderiam usar a verba em suas campanhas políticas.

Uma nova denúncia citada pela revista, de 11 de setembro, foi dirigida à corregadora Anadyr Marcondes e advertia que uma empresa de publicidade ligada a Geddel, a Link, estaria `avançando o sinal' em campanhas publicitárias do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). A finalidade, dizia ACM, era obter fundos para campanhas eleitorais de seu rival.



 

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