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A temporada carnavalesca oferece um vasto acervo de metáforas, a
maioria delas produzidas pela letra dos grandes sucessos musicais do
passado. Hoje, ninguém lembra sequer do refrão dos sambas premiados no
ano anterior.
Um dos clássicos da música carnavalesca transmitido de pais a filhos
nem é samba, tem ritmo de valsa. Trata-se da versão brasileira de
Cielito Lindo, lançada em 1942 – há 61 anos –, que dizia o seguinte:
"Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora // o dia já vem raiando, meu bem
// eu tenho que ir embora..."
Está chegando a hora. A hora da verdade: não é apenas o senador baiano
que começa a perceber que desta vez a coisa está escapando do seu
controle. Seus leais parceiros também vão entrar na dança.
A tentativa do presidente do Senado, na véspera do grito de Carnaval
brasiliense, de torpedear a abertura do processo na Comissão de Ética
levou a Folha de S.Paulo a abrir suas baterias contra o seu dileto
colaborador. E não foi com uma notinha escondida.
O colunista Fernando Rodrigues deu na sexta-feira (28/2) um bom
safanão no colega da página 2 ("Juvêncio e Sarney abafam"). Na mesma
edição, pág. 4, debaixo do carimbo "Bahiagate", com matéria destacada,
o jornalão coloca mal o seu colaborador: "Sarney diz ser, em tese,
contra Senado investigar caso ACM".
A leitura das duas matérias sugere que desta vez o jornal não poderá
manter o mesmo distanciamento do ano passado, quando a família Sarney
freqüentou o noticiário no embalo do caso Lunus.
Na última edição de Época (3/3), a seção "Portal" (pág. 9) também
sinaliza para importantes alterações de comportamento. Sob o título
"Silêncio dos inocentes", o seu responsável, Expedido Filho, estranha
o silêncio dos baianos Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Zélia
Gattai, veteranos defensores das liberdades democráticas, diante da
grampolândia carlista.
Estamos na iminência de outras notáveis cobranças. Está chegando a
hora
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