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Índice de Percepções de Corrupção-2002 ). Transparência Brasil | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Índice de Percepções de Corrupção-2002 O Índice de Percepções de Corrupção de 2002 da Transparência Internacional mostra que o Brasil não teve alterada sua imagem em relação ao nível do ano passado. O índice (que em 2002 inclui 102 países) classifica o grau de corrupção dos países numa escala de 0 a 10, em que 10 corresponde ao menor grau de corrupção percebido e 0 o maior grau. O Brasil recebeu classificação 4,0 (repetindo a “nota” de 2001; ela foi de 3,9 em 2000 e de 4,1 em 1999). O que indica que o país não tem piorado na percepção internacional sobre o grau de corrupção vigente – mas, também, assinala que não tem melhorado. O país fica no mesmo patamar que Bulgária, Jamaica, Peru e Polônia. O grau de corrupção relativamente elevado com que o Brasil é percebido internacionalmente é compatível com a avaliação da opinião pública brasileira. Pesquisa com representatividade nacional feita em 2001 pelo Ibope para a Transparência Brasil e o Instituto Paulo Montenegro revelou que 51% das pessoas acreditavam que a corrupção no plano federal havia aumentado muito ou simplesmente aumentado nos dois anos anteriores, enquanto apenas 7% acreditavam que ela havia diminuído (bastante ou pouco) e 34% que não se alterara (ver). Descaso eleitoral Em aparente desprezo por esse quadro pouco edificante, os candidatos às eleições deste ano (Presidência, governos estaduais e legislativos estaduais e federal) têm ignorado inteiramente o assunto da corrupção e não apresentam propostas concretas para combatê-la. Antes de ser um problema moral (todo candidato se dirá contrário à corrupção – está para aparecer quem admita francamente ser a favor dela), a corrupção acontece por causa de falhas nos mecanismos de controle do Estado. O legislativo não fiscaliza direito o executivo, a Justiça tem tantas falhas que pouco funciona nesse tipo de caso, muitas vezes os procedimentos administrativos parecem propositalmente montados para criar dificuldades e, assim, propiciar a oportunidade de se venderem facilidades. Com a finalidade de tentar garantir que o próximo presidente da República – seja ele quem for – se comprometa a assumir o combate à corrupção como objetivo estratégico, a Transparência Brasil apresentou à subscrição dos quatro principais candidatos um Compromisso Anticorrupção. O documento descreve uma série de medidas concretas para iniciar um combate organizado à corrupção. A primeira e mais importante delas é a criação de uma Agência Nacional Anticorrupção, incorporando os três poderes, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, com participação consultiva de organizações da sociedade. O objetivo dessa Agência não seria criar mais uma repartição, mas, no prazo de seis meses, montar um plano de combate à corrupção e orquestrar a sua implementação a partir daí. Leia mais na página da campanha Voto Limpo 2002. Candidato aprecia falar de emprego, segurança, educação, saúde, saneamento. Esses de fato são assuntos que preocupam o eleitorado. Acontece que corrupção também preocupa, e os candidatos não estão percebendo isso. Acresce que todo real subtraído dos cofres públicos por conta da corrupção se reflete em redução da capacidade de investimento do Estado e conseqüente prejuízo de programas sociais e econômicos que se pretenda colocar em prática. Além do mais, a percepção internacional de que a corrupção é alta no Brasil tem efeitos diretos sobre os investidores. Alta corrupção significa maiores custos, portanto uma menor propensão a investir. Numa época em que qualquer soluço de pesquisa eleitoral provoca ataques especulativos e incertezas (reais ou fabricadas, não importa), o anúncio, por qualquer candidato presidencial, de que efetuará um combate frontal à corrupção só poderá ter efeitos salutares. Contudo, não bastará apenas dizer que a corrupção é um mal. Disso todos sabem. O quadro na América Latina e Caribe A tabela a seguir descreve a situação dos países latino-americanos e caribenhos ao longo dos três últimos anos.
Veja também a análise que a organização argentina InfoCivica, ligada ao Poder Ciudadano, faz da percepção da corrupção naquele país e suas relações com a situação institucional.
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